Hepatite

As hepatites podem ser prevenidas se forem tomadas algumas medidas genéricas.

 A hepatite é uma inflamação das células do fígado, sendo os vírus a causa mais comum desta patologia. E quando ocorre, o fígado não consegue desempenhar as suas funções e as lesões nele causadas podem evoluir para cirrose ou cancro. Mas, para além das hepatites víricas ou virais, existem outras causas associadas a lesões do fígado como as alterações do sistema imunitário (hepatite autoimune), o consumo excessivo de produtos tóxicos como álcool, drogas, certos medicamentos, cogumelos selvagens ou ainda a presença de gordura no fígado (esteatose) que se encontra intimamente associada à obesidade e outras doenças que compõe o síndrome metabólico (esteato-hepatite).

Existem cinco tipos principais de hepatite vírica (hepatite A, B, C, D e E), cada uma delas provocada por vírus diferentes. As hepatites víricas são sempre contagiosas.

A hepatite A é sempre uma doença aguda a curto prazo, não há relato de cronificação e a mortalidade é baixa. Existe uma vacina segura para esta hepatite que deve ser administrada a quem viaja para países onde a infeção é endémica. Por isso, é conhecida como a hepatite do viajante e a sua transmissão está intimamente ligada ao consumo de água e alimentos contaminados.

A hepatite B é talvez a mais perigosa e grave, afetando em Portugal cerca de 1% a 1,5% da população. Não tem cura, mas pode ser prevenida pela vacinação que tem uma eficácia de cerca de 95% e está incluída no Programa Nacional de Vacinação.

A hepatite C evolui com muita frequência para formas crónicas e, em Portugal, é a principal causa do cancro do fígado (60% dos casos) e ainda não tem vacina disponível.

Tanto a hepatite B como a C podem ser transmitidas por via sexual (mais a B) ou por sangue infetado que pode ocorrer na partilha de seringas usadas no consumo de drogas, agulhas infetadas em tatuagens, piercings ou de outros objetos contaminados. Em países em desenvolvimento pode ocorrer também por transmissão da mãe para o feto durante a gravidez ou parto.

A hepatite D é uma forma rara de hepatite que ocorre apenas em conjunto com a infeção por hepatite B. A vacina para a hepatite B também previne a infeção pelo vírus da hepatite D.

A hepatite E é geralmente aguda, transmite-se pela água e alimentos contaminados e é particularmente perigosa em mulheres grávidas.

A gravidade e o prognóstico das hepatites variam de acordo com o agente etiológico responsável, sendo curável como a hepatite A e C ou evoluindo para a cronicidade como a B e C e desenvolvendo complicações a longo prazo como a cirrose e cancro do fígado, já referidos.

Embora a hepatite seja uma doença evitável, tratável e, no caso da hepatite A e C curável, afeta milhões de pessoas em todo o mundo. A hepatite B e C, juntas, causam no mundo 1,1 milhões de mortes por ano, o que levou a OMS a assumir o objetivo de erradicar as referidas hepatites até 2030.

Como se depreende do exposto, as hepatites podem ser prevenidas se forem tomadas algumas medidas genéricas como:

  • a vacinação para as hepatites A e B, 
  • proteção nas relações sexuais e a não partilha de objetos contaminados com sangue, no caso da hepatite B e C,  
  • cuidado com a automedicação e abuso de fármacos particularmente dos utilizados no alívio da dor e anti-inflamatórios,  
  • cuidado com o consumo de álcool em excesso e de qualquer tipo de droga, 
  • manter hábitos de vida saudáveis (evitar a obesidade e o sedentarismo).

O Hospital Particular tem um corpo clínico especializado de gastrenterologistas, internistas e médicos de medicina geral e familiar particularmente vocacionados para o diagnóstico e tratamento de todos os tipos de hepatite.

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